Indústria flexibiliza negociação para vender no 2º semestre

São Paulo – As fabricantes de calçados estão flexibilizando a negociação com o varejo para garantir as tradicionais encomendas do segundo semestre. De acordo com profissionais do setor, a estratégia visa driblar a queda nas vendas ao consumidor e os altos estoques nas lojas.

O esforço da indústria, entretanto, pode não ser suficiente para reverter a perda acumulada no primeiro semestre do ano. Segundo projeção da consultoria Iemi Inteligência de Mercado, a produção de calçados deve recuar 0,3% este ano. Em maio, a estimativa era de alta de 1,5%.

“A desaceleração do setor aconteceu mais rápido do que o esperado. Apesar disso, podemos ver melhora nos próximos meses”, avalia o sócio diretor do Iemi, Marcelo Prado.

As encomendas do segundo semestre, período em que o setor tradicionalmente produz mais, são a aposta da Usaflex para manter a taxa de crescimento dos últimos anos. No verão, a empresa chega a produzir até 25 mil pares por dia contra 19 mil no inverno.

“Esperamos avançar em média 10% em volume este ano, mas percebemos que o varejo está mais estocado e pedindo ajuda para fazer o produto girar na loja”, conta a coordenadora de marketing da Usaflex, Bianca Garniel.

Ela explica que as negociações estão mais difíceis, mas que tem conseguido convencer clientes a manter o volume de encomendas do último ano. A empresa também está investindo mais em marketing para atrair o consumidor final para as lojas.

Na Pé com Pé, a estratégia também tem sido promover ações no ponto de venda. “Temos que ser mais agressivos este ano, levando soluções ao lojista além do produto”, diz o diretor comercial da empresa, Wagner Poli.

Como o varejo tem feito pedidos com menor antecedência, a Pé com Pé passou a trabalhar com maior nível de estoque para vender a pronta entrega. O objetivo é manter o volume de vendas em linha com 2014, quando a empresa fabricou 2 milhões de pares. O número foi menor que o registrado em 2013.

Já a Vulcabras Azaleia aposta no posicionamento de preço dos produtos para ganhar espaço no segundo semestre. “Vemos um segundo semestre difícil para o setor, mas estamos conseguindo melhorar o nosso resultado porque oferecemos um produto com bom custo-benefício”, observa o diretor-presidente da companhia, Pedro Bartelle.

De acordo com o último relatório divulgado pela Vulcabras, a receita líquida somou R$ 284 milhões no primeiro trimestre, queda de 0,7% ante igual período de do ano anterior.

Bartelle destaca que o varejo tem demandado prazo maior para pagar as encomendas neste ano, reflexo da maior pressão sobre o fluxo de caixa. “Tentamos ajudar, mas é difícil ampliar o prazo de pagamento”, explica.

noticia (1)Indústria flexibiliza negociação para vender no 2º semestre