Com alta do dólar, turista calcula qual compra ainda vale a pena nos EUA

Folha de S. Paulo, 15/03/2015

Após ver seus planos de consumo arrasados pela oscilação do dólar, o turista Flávio de Faria Prieto, que embarca para Nova York no fim desta semana, resolveu colocar tudo numa planilha.

“Elaborei uma tabela com os bens desejados. Fiz um comparativo dos preços no Brasil e quanto ficaria caso adquirido nos EUA. Pela minha pesquisa, os produtos da Apple ainda têm preços muito atrativos por lá”, diz.

“Mas, em geral, este é o momento de priorizar a bagagem cultural à material.”

Carlos Frederico de Jesus, que acaba de retornar de férias na cidade, diz que comprou apenas o necessário, privilegiando as liquidações.

“Aproveitei ofertas de perfumes, que ainda têm preços muito melhores do que aqui. E roupa eu só trouxe o que encontrei com desconto progressivo na segunda compra, um tipo de promoção que os americanos fazem muito.”

Fabio Vasconcelos, presidente-executivo da Calvin Klein Brasil, que tem 92% da produção nacionalizada, estima que, “com a incerteza da moeda, o consumo local ganhará força”.

O brasileiro já notou que a vantagem de comprar no exterior diminuiu, afirma Flavia Perez, gerente da Kipling, marca de bolsas e mochilas desejada pelos jovens.

Mas ainda há dúvidas, mesmo entre varejistas, sobre os produtos que valem a pena serem comprados lá ou aqui em tempos de oscilação.

A brasileira Ri Happy, rede de brinquedos que tem uma divisão para artigos como carrinhos de bebês, informa que alguns itens ainda estão mais baratos nos EUA, devido à tributação brasileira, mas ressalta a vantagem do parcelamento e os custos da viagem.

Marina Carvalho, diretora-presidente da Ápice (Associação pela Indústria e Comércio Esportivo), afirma que, para os calçados esportivos, a alta do dólar só encarece o produto vendido no Brasil, pois cada par é submetido a uma sobretaxa de antidumping superior a US$ 10.

“O dólar alto prejudica o setor em geral. Mesmo o que é produzido aqui sofre porque os componentes geralmente são importados.”

Fonte: Folha